Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração
Penitenciária mostram a movimentação dos cinco detentos que escaparam na madrugada
do sábado 2 da Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal.
Até a manhã desta segunda-feira 4, nenhum deles havia sido recapturado,
de acordo com a Seap.
A fuga aconteceu entre 0h e 1h, mas só foi percebida horas depois, já
pela manhã, durante a contagem dos apenados nas celas.
As imagens registradas pelas câmeras de monitoramento mostram os cinco
presos já fora do pavilhão 1 da unidade. No momento da ação, chovia forte na
região.
Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de
ventilação para deixar a cela, cruzaram um muro interno e, em seguida,
utilizaram uma corda improvisada com lençóis — conhecida como “teresa” — para
ultrapassar o muro principal da penitenciária, que tem mais de 5 metros de
altura.
Uma semana antes, dois presos já haviam tentado fugir pelo sistema de
ventilação no presídio Rogério Coutinho Madruga, localizado ao lado de Alcaçuz,
mas foram impedidos por policiais penais de plantão e pela Central de Rádio e
Videomonitoramento.
O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do
Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga foi uma “surpresa” para o sistema
prisional.
Segundo a Seap, a unidade não registrava fugas havia quase cinco anos,
enquanto o presídio Rogério Madruga Coutinho, vizinho, teve uma ocorrência em
2024.
“Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente”, disse.
Dois memorandos enviados pela direção da Penitenciária de Alcaçuz,
datados de 20 de março e 2 de abril, solicitaram à Seap manutenção nas câmeras
de monitoramento dos pavilhões 1 — onde ocorreu a fuga — e 4.
Ainda segundo Helton Edi Xavier, não há áreas sem cobertura de
vigilância na unidade. “Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do
ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros
ângulos que permitem o monitoramento”, completou.
A presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, avalia que a desativação das 10 guaritas da penitenciária também pode ter contribuído para que a fuga não fosse percebida no momento em que ocorreu. “Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualização. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas”, disse.


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