O acesso ao ensino superior abriu portas para milhares de potiguares nas
últimas décadas.
No entanto, para uma parcela significativa desses estudantes, a obtenção
do diploma foi acompanhada pela contratação de financiamentos estudantis que
resultaram em elevados níveis de endividamento, impondo um impacto financeiro
de longo prazo.
No Rio Grande do Norte, cerca de 31,6 mil contratos do Fundo de
Financiamento Estudantil (Fies), firmados até 2017, estão em atraso, somando um
saldo devedor que ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
Os dados mais recentes do Ministério da Educação reforçam a dimensão do
problema: o estoque total da dívida no Rio Grande do Norte supera R$ 1,26
bilhão, com valor médio de cerca de R$ 40 mil por beneficiário.
Trata-se de um compromisso de longo prazo que acompanha os estudantes
por mais de uma década.
Criado para ampliar o acesso à educação superior privada, o programa se
consolidou como uma das principais portas de entrada para jovens de baixa e
média renda.
Contudo, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho após o
recebimento do diploma e o descompasso entre renda e valor das parcelas têm
elevado os índices de inadimplência.
Esse cenário se agrava ao observar o perfil dos beneficiários: mais de
72% têm até 30 anos, e 62% dos contratos são de mulheres. Ou seja: são pessoas
no início da vida profissional, com poucas oportunidades no mercado de trabalho
e com renda instável.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), o não pagamento das parcelas do
Fies compromete a sustentabilidade do programa.
“O pagamento regular constitui uma importante fonte de receita para o
Fundo”, informou a pasta.
O desafio se intensifica porque a dívida se estende por anos: em média,
são 15 anos até a quitação.