Quatro casas com as
portas arrombadas. Em uma delas, um casal morto na cama em que dormia. Numa outra residência,
um homem também é encontrado sem vida, caído no piso. Foi este o cenário da
madrugada desta terça-feira, 23, em Jandaíra, município da microrregião da
Baixa Verde do Rio Grande do Norte.
A pequena cidade com
menos de sete mil habitantes, de acordo com dados do IBGE disponibilizados no
ano passado, registrou quatro homicídios somente nos primeiros 23 dias de 2018.
Os homicídios que
aterrorizam Jandaíra podem ficar sem solução. Os policiais militares da cidade
não contam sequer com uma viatura para trabalhar.
Há dois meses, o
veículo quebrou durante uma perseguição que só acabou em João Câmara. “Para
atender as ocorrências, vou no meu próprio carro. Não posso deixar a população
a mercê dos bandidos”, disse o sargento chamado de Kiko pelos jandairenses.
As ocorrências
atendidas pelo sargento e pela equipe formada por mais seis policiais militares
são levadas à Delegacia de Polícia Civil de João Câmara, que atende a cinco
municípios. Responsável pela investigação, o delegado Joacir Rocha também foi
procurado pela reportagem.
Perguntado sobre o que
fazer para elucidar os casos homicidas em Jandaíra, o delegado revelou também
ser um refém da crise vivida pelo estado na segurança pública. “Não tem como fazer
nada. Eu trabalho com dois agentes e um escrivão para dar conta de cinco
cidades.
Em João Câmara, a
principal delas, a gente só consegue resolver 5% dos casos.
Baseado nos
depoimentos que conseguiu colher, o delegado acredita que os homicídios têm
relação com o tráfico de drogas. A opinião é a mesma do sargento, que mora na
cidade: “Conheço eles. Eram traficantes ou usuários”, assegurou.
O número de mortos em
Jandaíra neste ano pode subir a qualquer momento. Isso porque um homem raptado
há mais de 20 dias ainda está desaparecido.
Nem a Polícia Militar
nem a Polícia Civil souberam dizer quem é. “O que sabemos é que foi pego quando
trafegava de moto, mas ele não é daqui. Estava de passagem pela cidade”,
informou o sargento, reforçando que quem vê os crimes tem medo de colaborar com
as forças policiais.
Ayrton Freire

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