O governo propôs ao Congresso fixar o salário mínimo em R$ 1.088 em 2021. A previsão consta da nova versão do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que define as bases do Orçamento, encaminhada nesta terça-feira ao Legislativo.
O valor é R$ 21 maior
que o proposto em agosto, quando o Ministério da Economia divulgou a proposta
orçamentária para o ano que vem. O aumento se deve à revisão da projeção para a
inflação medida pelo INPC.
Em agosto, o Ministério
da Economia divulgou uma previsão orçamentária na qual previa que o piso
nacional fosse reajustado em 2,09%, equivalente à projeção para a inflação
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) naquela ocasião.
Assim, o salário mínimo subiria dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.067 no ano que
vem.
Com a alta nos preços
dos alimentos, essa previsão para o INPC aumentou. O Boletim Macrofiscal
divulgado em novembro pela pasta estima que o indicador fechará o ano em 4,1%.
Com isso, o piso subiria para R$ 1.087,84 — arredondado para cima, R$ 1.088.
Apesar de um aumento
em relação à previsão anterior, o trabalhador ainda não terá alta real do
salário mínimo em 2021, já que apenas a inflação será reposta pelo reajuste.
Isso ocorre porque o
Brasil deixou de ter uma política de valorização do salário mínimo. Esse
mecanismo vigorou no país entre 2011 e 2018 e previa que o piso nacional fosse
reajustado pela inflação, acrescido da variação do Produto Interno Bruto (PIB)
registrada dois anos antes
Desde 2019, no
entanto, o governo tem buscado manter o reajuste do salário mínimo indexado
apenas pela inflação, como prevê a Constituição. A medida é uma forma de evitar
o crescimento de gastos públicos.
Impacto fiscal de R$ 7,4 bi
A alta acima do
previsto no Orçamento deve significar um gasto extra para o governo, já que o
valor serve de base para benefícios previdenciários e assistenciais.
Segundo cálculos da
equipe econômica, a cada R$ 1 de aumento do mínimo, há um crescimento da
despesa pública de R$ 355 milhões.
Um salário R$ 21 maior
que o inicialmente planejado, portanto, representaria um custo extra de R$ 7,4
bilhões para os cofres públicos.
O Globo

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