Três integrantes de uma quadrilha que atua em
explosões, arrombamentos e assaltos à agências bancárias e carros-forte foram
presos ontem por policiais civis da (Deicor), nos bairros de Capim Macio e
Cajupiranga, na Região Metropolitana de Natal.
Quatro pessoas foram presas e uma delas, baleada
durante confronto, está internada no Hospital Walfredo Gurgel.
Entre o material apreendido com os criminosos,
estavam dinamites, fuzis, espingardas, pistolas roubadas de agentes de
Segurança Pública, grande quantidade de munição, grampos para furar pneus,
vários outros tipos de equipamentos e armamentos, rádio-comunicadores, além de
camisas de identificação da Polícia Federal, um giroflex, coletes a prova de
balas e R$ 62 mil em dinheiro.
Segundo a delegada da Deicor, Sheila Freitas, a
quadrilha é suspeita de praticar seus crimes em vários estados do Nordeste e
Centro-Oeste.
Um dos presos, identificado como Paulo Donizete
Siqueira de Souza ou “Vírus”, é apontado como o autor de mais de 50 assaltos a
agências bancárias, com o sequestro de gerentes de bancos e explosões a
carros-forte na Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Ele foi preso quando chegava a um imóvel no bairro
de Cajupiranga, em Parnamirim, para resgatar João Maria dos Santos, conhecido
pelo apelido de “Gugu”.
O terceiro integrante do grupo foi preso na Avenida
Roberto Freire, em Capim Macio, após resistir à prisão e tentar fugir do cerco
policial montado pela Deicor.
José Carlos dos Santos Bezerra, o “Zécarlos” foi
baleado durante perseguição e troca de tiros.
“Ele estava sendo monitorado, quando percebeu a
presença da polícia. Demos voz de prisão, mas ele jogou o veículo em que estava
contra os policiais e fugiu, dando início a perseguição, que só acabou próximo
a um supermercado.
Na troca de tiros, ele acabou sendo ferido e foi
levado para o Walfredo Gurgel, onde está sob custódia”, explicou Sheila.
Batizada de “Serpentina”, por causa da proximidade
com o Carnaval, a operação contou com intenso trabalho de investigação feito
pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte, com parceria da Polícia da Bahia,
que também procurava prender a quadrilha, acusada de várias ações criminosas.
Segundo a delegada, os três estavam morando em
apart-hotéis em Ponta Negra e se encontravam todos os dias para planejar as
próximas ações.
Em um dos imóveis alugados por um dos bandidos, os
policiais encontraram uma planta-baixa de um prédio, que ela acredita ser de
uma empresa de guarda e transporte de valores.
“Não temos ainda a localização exata deste local,
mas isso é uma questão de tempo. Vamos continuar as investigações até
prendermos todos os integrantes que ainda estão foragidos.
Todos são
elementos muito perigosos, com vasta ficha criminal e que trabalhavam de forma
muito organizada, com um potencial financeiro grande, como podemos perceber
pelos equipamentos que conseguimos apreender”, afirmou.
Quadrilha
já tinha explosivos prontos para serem usados
Além das bananas de dinamites e granadas, os
policiais civis encontraram ainda um explosivo líquido que já estava pronto
para ser usado.
O material estava dentro de uma garrafa pet de meio
litro e tinha também um metal com imã acoplado ao seu corpo, para grudar em um
carro-forte, conforme explicou a delegada Sheila Freitas.
“Ainda não sabemos em que ação ou alvo eles iriam
usar o artefato, mas isso é mais uma demonstração de que eles já tinham, pelo
menos, uma ação pronta para ser feita, já que estavam com uma bomba pronta.
O material encontrado é suficiente para explodir um
carro-forte”, disse.
Para ela, o apoio da Polícia Civil da Bahia, que
também investiga a ação da quadrilha, foi fundamental para a prisão dos três
acusados, ontem.
Ela disse ainda que a troca de informações sobre os
crimes ocorridos nos dois estados ajudou a identificar semelhanças no modo de
ação e a identificação dos criminosos e do “quartel-general” dos três, que são
de alta periculosidade.
“O Donizete é acusado de participar de mais de 50
assaltos, inclusive da última explosão de carro-forte ocorrida na Paraíba, na
semana passada e também da explosão do Banco do Brasil de São Paulo do Potengi,
em janeiro.
Isso porque encontramos semelhanças no tipo de
artefato e de armamentos usados pelos bandidos, que também foram denunciados
pelos sotaques diferentes”, explicou Sheila.
Esse detalhe, segundo ela, foi essencial para
identificar os bandidos, já que apenas o “Gugu” é potiguar. Paulo Donizete é
natural do Paraná e José Carlos, do Mato Grosso.
“Ou seja, sotaques totalmente diferentes, como as
pessoas que foram feitas reféns em São Paulo do Potengi disseram à polícia”,
citou. (A.B.)
Portal JH


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