O encontro ocorrerá na véspera do vencimento de uma medida provisória
(MP) editada no início do ano que prorrogou a desoneração para gasolina e
etanol. Integrantes da ala política defendem estender sua validade por mais
dois meses, evitando assim uma alta nos produtos.
Além da tributação, no encontro também serão discutidas alterações na
política de preços da Petrobras, medida vista como alternativa para evitar que
contribuintes tenham que pagar mais caro para abastecer seus veículos.
A expectativa de integrantes do governo é que a reunião sele um acordo
sobre o tema, que precisa de definição, já que a MP que garante a desoneração
perde a validade no dia 28 de fevereiro. O encontro será na segunda-feira
porque Fernando Haddad estava na Índia, participando de reunião do G20, e
retorna ao Brasil no final da tarde de sábado.
A tributação da gasolina e etanol opõe a equipe econômica, que defende a
reoneração dos combustíveis, da ala política do governo, que prefere a
continuidade da alíquota zerada para tributos federais.
Uma solução intermediária para a questão tributária – com uma elevação
inferior à alíquota cheia – é estudada pelo governo.
A alteração na política de preços da Petrobras, que mantém paridade com
o mercado externo, seria uma forma de absorver parte dessa elevação do preço
nas bombas. O que vem sendo estudado é a manutenção da cotação internacional
como referência, mas levando em conta o preço da produção nacional e da
importação.
Um aumento integral dos impostos sobre combustíveis representaria
impacto de R$ 0,69 por litro de gasolina, enquanto a Petrobras só teria uma
margem para reduzir algo em torno de R$ 0,20.
A desoneração representa perda de receita em momento de restrição
fiscal. O impacto para gasolina e álcool é estimado em cerca de R$ 3 bilhões
por mês. Integrantes da Fazenda argumentam que o custo é maior do que os gastos
com o reajuste do salário mínimo e da faixa de isenção do Imposto de Renda,
somados.
A reoneração também ajudaria a reduzir o rombo das contas públicas neste
ano, que é estimado em R$ 230 bilhões.
No início do governo, Lula editou medida provisória mantendo os impostos
zerados (PIS/Cofins e Cide) sobre combustíveis, regra em vigor pela gestão de
Jair Bolsonaro até 31 de dezembro de 2022. Enquanto os impostos sobre gasolina,
etanol, querosene de aviação e GNV foram reduzidos até o dia 28 de fevereiro,
os que incidem sobre diesel e gás de cozinha continuarão zerados até 31 de
dezembro deste ano.
O Globo


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