Depois da última
tentativa de fuga e rebelião no Núcleo de Custódia da Polícia Civil, o Núcleo
de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público requereu à
Justiça o cumprimento das decisões judiciais que proíbem a custódia de presos
pela Polícia Civil.
No mesmo
documento, assinado pelo promotor Wendell Beethoven, é recomendado o
afastamento temporário e parcial do delegado geral da Polícia Civil, Fábio
Rogério da Silva, até o cumprimento das medidas cabíveis.
Segundo Beethoven,
a medida não seria prejudicial ao delegado geral, que permaneceria no cargo,
mas é necessária para que possa ocorrer a nomeação de um interventor para
resolver exclusivamente a questão do cumprimento das ordens judiciais
referentes ao Núcleo de Custódia.
A custódia de
presos não é obrigação da Polícia Civil e é isso o que queremos, que o Estado
cumpra o seu papel.
Quanto aos efeitos do afastamento, ele não será
prejudicado, já que poderá continuar com as outras funções do cargo”, explicou
o promotor.
Além do
afastamento temporário de Fábio Rogério, cujo interventor deve ser nomeado pela
governadora Rosalba Ciarlini em, no máximo, 24h conforme o documento, o
Ministério Público solicitou o bloqueio de verbas públicas no valor de pouco
mais de R$ 4,9 milhões em multas vencidas e o aumento das outras penalidades já
fixadas.
O montante deverá
ser transferido para uma conta específica, no mesmo banco, à disposição da
Justiça.
O delegado geral
Fábio Rogério rebateu as críticas tecidas pelo Ministério Público e disse que
não descumpriu ordem judicial alguma.
Ele disse que é um
dos maiores interessados em resolver a situação do Núcleo de Custódia que abrigava
ainda 87 presos, e que está lutando, há vários meses, para conseguir repassar
todos os presos para o sistema prisional, que é gerido pela Secretaria de
Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc).
“O nosso trabalho
é prender e investigar os crimes e não ficar tomando conta de presos, que é
obrigação do sistema prisional.
Venho lutando há
muito tempo para resolver esse problema, mas isso é coisa que não se resolve do
dia para a noite e não depende apenas da nossa vontade, infelizmente. Isso é um
absurdo”, afirmou Fábio Rogério.
Portal JH

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