Os eleitores que optaram por votar em candidatos
que tiveram o registro negado pela Justiça Eleitoral já sabiam do risco de ter
seu voto anulado.
A situação foi destacada neste domingo (7) pela presidenta do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, em entrevista
coletiva concedida após o encerramento da votação.
Perguntada se o sistema atual não prejudica o eleitor, que fica sem saber se
seu voto tem validade, Cármen Lúcia disse que a Justiça nunca deixou o cidadão
sem resposta sobre a situação do candidato. Atualmente, 6,7 mil recursos estão
pendentes de análise no TSE, sendo que 2,9 mil são sobre a Lei da Ficha Limpa.“Houve resposta do juiz, do Tribunal Regional Eleitoral. A ministra lembrou que a Lei da Ficha Limpa não é novidade, embora esteja sendo efetivamente aplicada pela primeira vez nesta eleição municipal.
Cármen Lúcia ressaltou que, embora o candidato tenha direito de recorrer ao TSE, a tendência é que sua situação permaneça a mesma, já que o registro foi analisado por uma dupla instância.
Perguntada sobre o impacto da Lei da Ficha Limpa nas eleições, a ministra afirmou que é preciso que o eleitorado conheça melhor os pormenores da norma, mas que o resultado já pôde ser sentido nas urnas.
Quando ele [o
candidato] apareceu como indeferido e com recurso pendente, significa que a lei
garante a ele o direito de, por sua conta e risco, deixar seu nome às urnas, e
disso é dada ciência ao cidadão.
Quando o cidadão votou no exercício de sua
liberdade, que queremos preservar mais do que tudo, lutamos muito por isso,
sabia que isso podia acontecer.”
“Isso não é
uma jurisprudência nova, não é uma legislação nova, e foi, portanto, no
exercício da liberdade de cada um que se teve essa situação”.
A lei foi editada
em 2010, mas não pôde ser aplicada naquele ano porque a norma precisava estar
em vigor por pelo menos 12 meses antes de ter efetividade.
Segundo a ministra, o TSE deve terminar de
julgar todos os recursos sobre registros de candidatura até dezembro, quando
ocorre a diplomação dos eleitos.
“Como foi a própria cidadania que
conseguiu a ficha limpa, houve um ânimo maior nessa eleição”, concluiu.
Da Agência Brasil

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